segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Guerra Fria e Extraterrestres

O conto "O Grande Terminal Central", escrito pelo físico nuclear Leo Szilard, narra a saga de um grupo de extraterrestres no momento em que descobrem o planeta Terra e nela pousam. Este, porém, estava completamente deserto. Logo os extraterrestres, perplexos, descobrem que houve vida naquele planeta algum dia e tentam descobrir a causa de tamanha devastação. Depois de descartar a possibilidade de o responsável ter sido um vírus ou bactéria, tamanho o estrago, um dos integrantes levanta a hipótese e ter ocorrido um conflito nuclear entre os habitantes dos continentes Euro-asiático e Americano – que teriam se atacado até a destruição do planeta inteiro. Porém, o narrador se mostra um tanto quando descrente com relação a essa hipótese, pois afirma que o planeta foi habitado por seres racionais e que estes, portanto não enriqueceriam urânio apenas para causar uma guerra.

O conflito narrado é muito semelhante às tensões do período da Guerra Fria – com a polarização dos blocos capitalista e comunista - tendo como seus principais representantes os Estados Unidos e a União Soviétia - e a ameaça de explosão de bombas nucleares a qualquer momento, decorrente da corrida armamentista. A disputa por poder bélico entre as duas potências foi tamanha que gerou armamento nuclear capaz de destruir o planeta mais de uma vez.
O tema abordado por Szilard foi, portanto, nada mais nada menos que o retrato do que poderia ter restado da Terra se todas as tensões e promessas da Guerra Fria tivessem se concretizado, somando a esse relato uma crítica contra a humanidade, que se deixou enlouquecer a ponto de levar em consideração a destruição total do planeta.

Apesar da crítica ardilosa contida no conto e posição contra a bomba atômica, o Szilard teve participação em desenvolvimento. O que pode, de certa forma, justificar tal posição e nos fazer pensar a respeito da Guerra Fria, suas consequências e a consequências que poderia ter tido.

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