segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Mil e Uma Utilidades

“O primeiro mandamento da nossa profissão é a verdade, ou a busca dela


Jornalista por formação, professor por acidente e escritor por necessidade, Celso Unzelte, 42 anos, é um exemplo e uma lição para todos aqueles que pensam "não ter tempo para nada". Disciplinado, consegue cumprir todas as funções a que se propõe: professor de Técnicas e Gêneros Jornalísticos I na Faculdade Cásper Líbero, comentarista da ESPN, colunista no site do Yahoo e do jornal “Diário do Comércio”, fora outros trabalhos esporádicos. Para completar, é casado e pai de três filhos.

Cansou só de ler? Pois é. O mais curioso é que Unzelte não sonhava em ser jornalista, longe disso: “Eu queria ser desenhista de quadrinhos, jornalista nunca.” diz, e completa “Quando cheguei ao colegial e vi que não tinha 'faculdade de quadrinhos', mas tinha de jornalismo, decidi que era o que eu ia fazer, até porque sempre gostei de ler e escrever.”

E foi assim, ao acaso, que hoje temos um jornalista como ele - que prefere a história ao factual. “Eu sou um historiador frustrado” diz. “Tudo o que eu faço no jornalismo as pessoas relacionam ao futebol, quando na verdade é histórico. Esse é o meu interesse maior”... “Me arrependo de ter começado o curso de história na USP e não ter terminado”. Porém, mesmo não sendo formado, Unzelte escreveu livros que lhe exigiram a atenção de um historiador apaixonado pelo que faz. Como o Almanaque do Timão, o Livro de Ouro do Futebol, o Grandes Clubes Brasileiros, Os Dez Mais do Corinthians, O Grande Jogo, e o mais recente – Timão: 100 Anos, 100 Jogos, 100 Ídolos, que comemora o centenário do seu time do coração desde a infância: Sport Club Corinthians Paulista.

Casado com Patrícia, uma colega de profissão, ele destaca as vantagens e desvantagens de ser conjugado com uma jornalista: “Ajuda quando eu ligo às 5 da manhã e falo 'vá dormir, hoje não chego a tempo' e ela dorme porque sabe que eu realmente estou fechando uma revista, ela sabe como é. E muitas vezes é ela quem liga. Atrapalha porque de vez em quando falamos tanto de trabalho que um tem que policiar o outro. Mas acho que conseguimos equilibrar bem, afinal estamos juntos há 14 anos”. Porém, apesar de compartilharem da profissão, não conseguem trabalhar em um mesmo projeto: “Não é possível por minha culpa. Eu tenho o péssimo hábito de achar que, por termos intimidade, posso me dar ao direito de falar certas coisas que às vezes ferem. E eu não posso.” afirma.

Com relação ao futuro do jornal impresso, dado o surgimento da internet e as novas mídias, Unzelte é categórico: “Não acho que o jornal impresso vai morrer, e sim mudar. Não faz mais sentido o jornal achar que é o biscoito Tostines – que está sempre fresquinho” brinca. “Ele não traz notícia. O jornal vai mudar no sentido de se tornar mais interpretativo, vai entrar na seara das revistas, e as revistas vão entrar na seara dos livros - e é por isso que vocês vêem hoje nas bancas tantas revistas sobre História. É um efeito dominó”. Continuando as previsões, fala sobre os jornalistas, que agora não precisam ser formados no curso para exercer a profissão: “Vão continuar privilegiando quem tem diploma, mas, infelizmente, já que ele não é obrigatório, vamos sofrer a chantagem barata de pagarem cada vez menos pelo nosso trabalho. É só a gota d'água num processo que vem de longe.”

Por fim, Unzelte confessa que sonha em ter a própria revista: “Eu queria fazer duas: uma de história do futebol e outra da cidade de São Paulo. Para esta inclusive eu já tenho até nome: Planeta São Paulo”... E nós estaremos aqui, só esperando esse sonho acontecer, para prestigiar mais um trabalho desse que é o verdadeiro bombril – mil e uma utilidades.

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